Bloom

Já conhecia ? Eu uso muito aquele calhamaço que demorou para ser publicado aqui: Gênio
Vale a pena ler essa entrevista do Estadão de hoje feita por Ubiratan Brasil
"Reclamam de charge, mas fazem silêncio diante de atos terroristas"
Harold Bloom contesta certas reações islâmicas diante da atual polêmica dos desenhos sobre Maomé
A voz marcada por suspiros é enganadora - nesta entrevista, Harold Bloom usa sua voz melodiosa para disparar contra George W. Bush, a quem trata por "pesadelo", e contra ortodoxos de todas as linhas.
A religião e a Bíblia foram temas constantes em sua obra, mas seu recente livro, Jesus e Javé, é apontado como o mais explosivo. O que pensa sobre isso?
Não pensei em provocar ninguém, embora o livro tenha recebido críticas negativas nos Estados Unidos. Na verdade, esse tema sempre me acompanhou muito antes de eu publicar meus primeiros livros. Quando escrevi A Angústia da Influência, em 1973, havia ali uma seção sobre esse assunto, ou seja, comparando a relação entre Tanak (a Bíblia dos hebreus) e o Novo Testamento. Com o Livro de J, a necessidade tornou-se mais forte. Na verdade, nunca distingui crítica literária da crítica religiosa, pois estou convencido de que todas as distinções que fazemos são baseadas em posições políticas - algo de que não gosto, especialmente se observamos o que aconteceu nos Estados Unidos nos últimos cinco anos.
Aparentemente, o livro aponta a polêmica que deverá dominar o início deste século, contra o cristianismo e pró-judaísmo. Seria correto?
Não pretendi provocar uma polêmica cristã. Na verdade, pessoas como monges beneditinos e padres católicos e até alguns evangélicos reagiram favoravelmente ao livro. As reações mais iradas vieram dos ortodoxos e dos judeus conservadores, esses principalmente sobre o tratamento que dei a Jeová. Não acredito que o livro expresse alguma preferência por algum dos lados, pois sou estudioso de religiões mas agnóstico na prática. É difícil analisar isso. Comecei a escrever esse livro quando me convenci de que cristãos e judeus supervalorizavam o texto bíblico, liam metáforas como se fossem verdadeiras, talvez por não saberem como fazer a leitura correta. Mesmo sendo eruditos celebrados, eles realmente não têm idéia do que estão lendo.
O que pode explicar o fato de os Estados Unidos se tornarem um país religioso, mais até que outras nações ocidentais?
Eu não diria que seja um país religioso, mas uma forma de se dizer que os EUA continuam sendo uma democracia, o que de fato são, apesar do pesadelo chamado George W. Bush. Desde que ele assumiu o poder, somos hoje uma nação com um terço desse poder dominado pela plutocracia, outro terço pela oligarquia e o terço final pela teocracia. A verdadeira perspectiva do que hoje ocorre na América foi prevista pelo governador e senador da Louisiana entre os anos 20 e 30, Huey Long. Pouco antes de morrer (ele foi assassinado em 1935), ele disse: "Claro que teremos fascismo na América, mas nós a denominaremos democracia." É isso o que está ocorrendo aqui. Por isso que gosto de me referir a nosso presidente atual como Benito Bush (risos). O que chamamos de "religião americana" é algo muito estranho. Veja só: a cada dois anos, o Instituto Gallup faz uma pesquisa sobre o assunto e me envia uma cópia. Pois bem, os números nunca variam: 93% dos americanos dizem acreditar em Deus, não importa de que forma. Já 89%, ou seja, quase 9 entre 10 americanos, dizem que Deus os ama em sua base pessoal e individual. É justamente contra isso que meu livro se levanta.
Uma das maiores críticas recebidas pelo livro está no fato de afirmar que tanto o cristianismo como o judaísmo surgiram como reações aos acontecimentos de cada época da história do homem.
Foram várias críticas. Não foi bem aceita também minha afirmação de que, ao contrário do que se pensa, o judaísmo é uma religião mais jovem que o cristianismo. São Paulo não inaugurou o cristianismo, mas foi convertido por uma comunidade helenística, provavelmente judaico-cristã, para uma doutrina que já existia. Ele se tornou o apóstolo ou grande propagador disso. E o que hoje chamamos de judaísmo não começou até o segundo século da nova era.
O que lhe atrai no agnosticismo?
Basta olhar o século passado. Tivemos o holocausto nazista e os 6 milhões de judeus mortos, os chineses assassinados por Mao, outros tantos russos por Lenin, os cambojanos por Pol Pot. É por isso que minhas inspirações religiosas surgem quando leio Shakespeare, Dante, Cervantes, Fernando Pessoa. Afinal, uma parte importante da nossa crença observa que o que chamamos de criação traz, muito próxima, a destruição. A criação e a queda não são dois eventos distintos na história do homem, mas tão somente um.
E o que o senhor pensa da atual controvérsia dos quadrinhos envolvendo os árabes e países europeus?
É uma situação delicada. Os muçulmanos nunca protestaram quando homens-bomba assassinam pessoas inocentes. Preferem o silêncio. O atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que consegue ser pior que Bush, provocou polêmica ao dizer que o Holocausto era um "mito." Vi na edição de hoje (quarta-feira) do New York Times a notícia de que um jornal iraniano promove um concurso de caricaturas sobre o Holocausto. Não deixa de ser uma apologia aos assassinos, aos destruidores de edifícios, ao terrorismo afinal. Tenho certeza que no Irã e nos países árabes devem existir intelectuais e pacifistas que estão se sentindo miseráveis e preocupados com o que está acontecendo.
Escrito por Ed às 10h12
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Censura 3
O que há com a mídia brasileira ?
Só a VEJA publicou as charges de Maomé
Não publicar é respeito à religião ?
Respeite TODOS !
A imagem de árabe está tão generalizada que esqueceram que eles já viviam ANTES de Maomé...
Respeitar Maomé é conhecer, entender.
A imagem - charge - só pode ser avaliada se for vista
As charges cretinas precisam serem conhecidas
Como poderiamos avaliar sem ver...
Escrito por Ed às 10h49
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