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Escrito por Ed às 10h04
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2º Turno

das eleições !
Ainda bem que só teremos quatro anos...













Charge de Angeli (Folha de São Paulo - hoje)

Escrito por Ed às 18h57
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Ethevaldo Siqueira

Leia o artigo inteiro !
Apesar de estar em torno do mundo da informática, Ethevaldo sempre alerta das besteiras políticas federais . O trecho final é perfeito:

“O Brasil é um país de duras contradições. Uma delas é não valorizar devidamente a educação nem a cultura. Imagine, leitor, qual seria a resposta mais provável de um menino a um pai que lhe sugerisse: 'Estude, meu filho, para um dia ser presidente da República'.

Mais irônico seria insistir que o filho estudasse português, diante do presidente que confessa na TV seu orgulho por ter sido 'filho de mãe analfabeta'. Alguns dirão que, como metalúrgico, coitado, ele não teve tempo para estudar. Não é uma boa justificativa, pois sabemos que ele passou mais de 30 anos, sustentado pelo sindicato, fazendo agitação. Vocês não acham que ele poderia ter dedicado, ao longo dessas décadas, pelo menos duas horas semanais para aprender a língua-pátria?”


 

 

Artigo no Estadão (Domingo)



Escrito por Ed às 00h06
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Quem ? O Que ? Onde ?









Charge de Machado (A Charge Online de hoje)

Escrito por Ed às 09h49
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Veríssimo

Contra-indicações


'Contra fel, moléstia, crime

use Dorival Caymmi.'

Contra tudo que é dark

ouça e leia Chico Buarque.

Labirintite, luto, pus?

É batata: Moacyr Luz.

Contra impulsos suicidas

leia coisas divertidas

até que a angústia estanque.

E muito, mas muito,

Aldir Blanc.

A vida está dura? Zuenir

Ventura.

Conta sem saldo?

João Ubaldo.

Pavor de trombose? Zizi Possi.

Essa sensação de

segundo turno,

de desânimo generalizado,

e que de alguma maneira

fizeram você de bobo?

Não esquenta: Edu Lobo.

Contra a enxaqueca,

leia Rubem Fonseca.

Contra o debacle amoroso

ouça Caetano Veloso.

Abandonado como o rei Lear?

Leia Moacyr Scliar.

Contra coriza e desdita

ouça a Maria Rita.

Contra aflição e lumbago

leia o Saramago.

Ninguém te ama,

ninguém te quer?

Ouça o Charlie Parker.

Tudo é torto, tudo é tosco?

Ainda bem que tem o

João Bosco.

Contra o reles,

Lygia Fagundes Telles.

Contra tudo que amola

use Paulinho da Viola.

Contra medo do Opus Dei

use Billie Holliday.

Contra qualquer tipo de crise

ouça o Mauro Senise.

E se persistir a dor

procure um médico -

ou o Millôr.







(Hoje no Estadão)

Escrito por Ed às 09h46
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Eleições

 

Podem reclamar !

Até agora a melhor invenção é DEMOCRACIA.

Apesar de tudo, esta funcionando - precariamente - no Brasil. 

 

 

 

Charge de  Sponholz do Jornal da Manhã (PR)



Escrito por Ed às 10h52
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Livre-pensador

Livre-pensar é só pensar. Acho ridículo os sujeitos que se dizem "pensador católico" ou "pensador marxista". Quer dizer, estão pensando o já pensado.

 

 

Millôr

(entrevista no Estadão de ontem)



Escrito por Ed às 13h29
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Lembrar...

... que ainda tenho este Blog !

Escrito por Ed às 10h22
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Dalila

Aniversariante que só distribue presentes:


Primeiro - Vivíssima (Quer melhor presente ?)


Segundo - Juntar muita gente com alegria e satisfação


Terceiro - (amostra visual - descubra o original)








É só amostra !


Sinceramente : Que tenhamos muitos, muitos, MUUUIIITOOOS anos de aniversários da poeta Dalila





Escrito por Ed às 17h00
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Hexa ?

O que é isso ?



Escrito por Ed às 16h42
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Hexa

BOM assunto !
E ainda estou parado quase dois meses...
Eu volto

Escrito por Ed às 09h36
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Petrobras

Meio afastado, voltei com um jornalista que sempre mostra como para algo serve um historiador.
Saiu na Folha de São Paulo de hoje.

ELIO GASPARI

A Petrobras brinca de rainha Victoria

A idéia segundo a qual os bolivianos são bugres incapazes de entender a política de investimentos dos petroçábios, bem como a crença segundo a qual o compañero Evo Morales pode fazer o que quiser em nome dos direitos do povos indígenas espoliados pelo colonialismo, são o melhor caminho para não se chegar a lugar algum.
A Petrobras pagará mais caro pelo gás boliviano e quem acredita no contrário corre o risco de fazer papel de bobo. Nos últimos dois anos, o barril de petróleo foi de US$ 40 para US$ 70 e esse choque forçou a renegociação de 99 em cada cem contratos de fornecimento de gás pelo mundo afora. Os petrodiplomatas desdenharam os pleitos dos bolivianos, as ponderações do Itamaraty e as preocupações do Planalto. Depois de meio século de trabalho para se conseguir a auto-suficiência de petróleo, criaram a auto-dependência do gás -75% do gás usado em São Paulo vem da Bolívia.
Por mais que se veja Evo Morales como um governante pitoresco ou que se atribuam superpoderes ao Brasil, vale lembrar uma crise ocorrida na segunda metade do século 19, na qual fica difícil saber qual governante fez papel mais ridículo.
Entre 1864 e 1871, a Bolívia foi governada pelo general Mariano Melgarejo, uma espécie de sósia de Evo Morales, de cabeça para baixo. O general era careca e tinha uma vasta barba. O embaixador inglês em La Paz desgostou o presidente. Pode ter sido porque se recusou a beijar o traseiro da amante do general ou porque não quis apresentar credenciais a uma mula. Melgarejo mandou que tirassem a roupa do inglês e o colocassem na sela de um burrico, para divertimento dos bolivianos.
Esse é o lado latino-americano da história. Agora, o europeu:
Quando a humilhação imposta ao diplomata chegou ao conhecimento da rainha Victoria, ela determinou ao primeiro-ministro Palmerston que bombardeasse La Paz. Veio a informação de que, encarapitada na cordilheira, a Bolívia estava fora do alcance das canhoneiras inglesas. Victoria pediu que trouxessem um mapa. Quando mostraram-lhe onde ficava o país, ela riscou o mapa com um golpe de pena e anunciou: "A Bolívia não existe mais".
Toda bravata boliviana ecoa o general Melgarejo, mas as respostas arrogantes da Petrobras ecoam a pretensão da rainha Victoria.

Escrito por Ed às 17h44
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Gil lê cordel...

 ...que chama Costa de boçal

Karine Rodrigues  (jornalista do Estadão – hoje)

Convidado a dar uma aula inaugural na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o ministro da Cultura, Gilberto Gil, leu ontem, durante o evento, um cordel desancando o processo de escolha do padrão da TV digital no Brasil. O texto, de autoria de uma jornalista pernambucana, diz que o governo federal está "muito mal representado" na discussão, pois o ministro das Comunicações, Hélio Costa, é um "empresário boçal", que "só aposta no monopólio privado" e, "com uma conversa de bosta, só quer saber da imagem e do que traz de vantagem".

No meio de uma palestra sobre a importância da democratização das novas tecnologias e da diversificação das fontes de conteúdo, Gil começou a abordar o tema da TV digital. Depois de ressaltar as vantagens e suas inúmeras possibilidades, ele falou sobre a necessidade de regulamentação do projeto. Foi aí que contou ter recebido um cordel feito pela pernambucana Luciana Rebelo e disse que gostaria de ler alguns trechos. Acabou declamando todas as 20 estrofes.
Cordel na ìntegra:



Escrito por Ed às 10h30
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Leitura Dominical

    
 Vale a pena  o Texto do jornalista Fred Melo Paiva (O Estadão de hoje)


 
Vá conversar com Maria Sylvia de Carvalho Franco e você sairá com a sensação de que estamos num mato sem cachorro. 'E isso faz tempo', ela diz. Maria Sylvia é uma intelectual que não guarda nenhuma ilusão com o PT, nenhuma ilusão com o PSDB. Ainda assim, sentia-se uma 'potencial eleitora do Serra'. Agora está diante de Lula e Geraldo Alckmin. 'Deus me livre', ela diz. É o mato sem cachorro.
Maria Sylvia é professora titular dos Departamentos de Filosofia da Unicamp e da USP. É autora, entre outros livros, do clássico Homens Livres na Ordem Escravocrata
(Unesp). Não revela a idade e gosta de pontuar suas conversas com outras negativas: 'Eu não pertenço a partido nenhum, não tenho simpatia por partido nenhum, mantenho a minha total independência para dizer o que quero e quando quero, tanto na vida acadêmica como política'.
A política e os livros não são os únicos interesses de Maria Sylvia - concertos de música clássica, em especial os do Mosteiro de São Bento, e o jardim de casa consomem sua atenção em igual medida. Casada com o filósofo Roberto Romano da Silva, ela tem dois filhos (um deles é o cineasta Roberto Moreira, diretor de Contra Todos). Tem também uma neta, que vive com a filha nos Estados Unidos. Aliás, como se verá na entrevista a seguir, 'o Alckmin é igual minha netinha...'

A entrevista é longa, mas valem algumas questões:

Por que o empresariado manifestou apoio a Alckmin, sendo que Serra sempre foi o mais crítico a essa política econômica, isso desde o governo FHC?
Serra sempre foi nacionalista e desenvolvimentista, isso desde os tempos da ditadura. Mas o empresariado, na verdade, não quer surpresa. Veja que Lula mantém a estrutura de poder econômico. Quem leva a breca é gente menor. Antônio Ermírio está muito bem, obrigado. Por que eles vão se arriscar a colocar dinheiro no setor produtivo, se basta comprar títulos do governo? Por que vão se arriscar se há outros trabalhando por seus lucros?

Então por que o empresariado não desembarca logo na campanha de Lula?
Mas ele tem os bancos ao seu lado, o grande capital financeiro que o sustenta. Todos nadando em dinheiro. Há dois anos, um banco brasileiro lucrou mais que a Volkswagen mundial. Isso compromete qualquer racionalidade que você tenha com relação a crescimento econômico. O que me dá muito medo é que, se por um lado Lula tem os banqueiros, por outro tem também os miseráveis do mundo. Tem os dois extremos - um que lhe dá dinheiro, outro que lhe dá voto. Junte os dois, e é imbatível. Agora, para onde vai essa classe média que está sendo escorchada, isso é uma incógnita.

O final da entrevista é terrível:

 

Parte dos eleitores de esquerda que se desiludiram com Lula talvez votasse em José Serra. Darão seu voto para Alckmin?
Acho que não. Se você perguntar para mim, vou votar na Heloísa Helena (risos). Brincadeira, tem muito tempo ainda para pensar...

Heloísa Helena não é o voto da esquerda juvenil?
Não sei se é tanto assim. Ela é bastante demagoga, eu diria, e não é muito bem-vista por uma camada dos intelectuais, por ser assim um pouco afoita.
Mas esse grupo do PSOL, afora alguns interesseiros que se juntaram, tem um mérito enorme. Não é uma opção a se descartar. Votar neles pode ser uma forma de protesto. Eu, que não tenho simpatia por partido nenhum, poderia ser uma potencial eleitora do Serra. Agora, entre essa figura do Lula e a do Alckmin... nisso também não vou votar.

Existe espaço para uma terceira opção, ou mesmo para o aparecimento de algum aventureiro?
Não acredito. Garotinho, por exemplo, é tão inexpressivo politicamente quanto Alckmin. Ninguém, a não ser Serra, que é nome nacional, teria possibilidade de enfrentar Lula e seu aparato. A Globo, por exemplo: ou está silenciosa, ou está apoiando Lula. Não é pouco o poder que o PT conseguiu juntar.

O seu sonho de País passa por uma aliança PT-PSDB?
O meu sonho garanto que não.
Deus me livre, duas forças tão conservadoras.

Estamos num mato sem cachorro?
Mas isso faz muito tempo...
 

 



Escrito por Ed às 20h31
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Movimento

Semana movimentada !

Mudança familiar bem radical e novidades - nem sempre boas como esperava...

No Alpharrabio:

 - No Sábado passado,  o espaço ficou lotado com  a continuidade de Idéias de Encontro centralizado no Professor Antonio Rago Filho  dando uma aula divertida de Karl Marx.

 - O Cineclube continua funcionando



Escrito por Ed às 10h59
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Irina

Sempre ativa !

Só ontem fui descobrir o que saiu na revista Gula de novembro passado:

A brasileira do Ritz
Foto DR

Quem imagina que na cozinha do famoso hotel Ritz de Paris se esconde um pedacinho do Brasil? Pois bem, nos bastidores do lendário e luxuoso endereço, a paulista Irina Huerga é a única brasileira a integrar a equipe de quase 70 profissionais. Desde 2003, ela trabalha na confeitaria do hotel, ao lado do chef pâtissier Eddie Benghanem. Juntos, eles e mais sete pessoas criam e elaboram todas as deliciosas sobremesas servidas diariamente aos hóspedes. São chocolates, petits gâteaux, sorvetes, tortas, bolos, mousses...

Quando Irina deixou São Paulo, em 1998, para fazer o curso de Pâtisserie na consagrada escola Le Cordon Bleu, em Paris, não imaginava ficar muito tempo fora do Brasil. Mas as oportunidades foram surgindo. Primeiro veio um estágio na famosa delikatessen Fauchon; depois, um período de dois anos no hotel George V, onde ela conheceu Benghanem; mais um ano na luxuosa Ladurée, antes de ir para o Ritz. "No começo, a maior dificuldade foi aprender as bases técnicas da confeitaria, como montar uma mousse ou trabalhar a temperatura ideal de um chocolate", explica a jovem de 31 anos. Hoje, ela é chef de partie en pâtisserie e coordena uma pequena equipe de aprendizes e profissionais. "A pâtisserie francesa é a mais completa do mundo, uma combinação perfeita de técnica, criatividade e estética", afirma a brasileira, que, por enquanto, não pensa em voltar à terra natal.

 



Escrito por Ed às 10h13
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Match Point

Ver Woody Allen no cinema é uma lembrança do bom da tela grande, do som, do ambiente.

Mas sou condicionado com esse invasor DVD. Acompanho toda produção do Woody, sem reclamar do som, telinha widescreen - quando possivel - e o ambiente é muito bom no cineclube...

Deixa p'ra lá !

Voltamos ao Match Point. Lembrei de Crimes e Pecados. Parecido não ?

Agora que ele brinca de Hitchcock, brinca !

O dinheiro deve estar sobrando, chegando a montar o Londres do Hitch.

Como sempre, ainda estou com mais vontade de rir bem aberto no clássico Woody.

O riso retido - estilo Hitch - fica melhor britânico. Americano de NY é outro...

Mas, o filme vale.

O próximo, o próximo !

  



Escrito por Ed às 17h48
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Alpharrabio

09041-300

 

os que passam no ônibus

(que parece querer entrar

na livraria) olham para cá

e encontram seus sustos

 

dentro do aquário

confortados

alguns tomam café, outros

mexem nos livros (há um jardim

que ofende o asfalto)

 

quem são aqueles -?-

que não vão a lugar algum,

parecem ter chegado

aonde queriam

 

                                Tarso de Melo


 

 

Inveja

Tarso
(não o governamental)
explora
emocionalmente
quem não é
poeta...

 



Escrito por Ed às 10h19
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José Mindlin

Ontem tive o prazer de ouvir Mindlin


É uma overdose de otimismo


Tem gente muito boa aqui !



A Foto enorme é do DGABC (não publicada)


 



Escrito por Ed às 20h07
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Bloom

Já conhecia ? Eu uso muito aquele calhamaço que demorou para ser publicado aqui: Gênio

Vale a pena ler essa entrevista do Estadão de hoje  feita por Ubiratan Brasil

 

 

"Reclamam de charge, mas fazem silêncio diante de atos terroristas"

Harold Bloom contesta certas reações islâmicas diante da atual polêmica dos desenhos sobre Maomé

 

 

A voz marcada por suspiros é enganadora - nesta entrevista, Harold Bloom usa sua voz melodiosa para disparar contra George W. Bush, a quem trata por "pesadelo", e contra ortodoxos de todas as linhas.

A religião e a Bíblia foram temas constantes em sua obra, mas seu recente livro, Jesus e Javé, é apontado como o mais explosivo. O que pensa sobre isso?

Não pensei em provocar ninguém, embora o livro tenha recebido críticas negativas nos Estados Unidos. Na verdade, esse tema sempre me acompanhou muito antes de eu publicar meus primeiros livros. Quando escrevi A Angústia da Influência, em 1973, havia ali uma seção sobre esse assunto, ou seja, comparando a relação entre Tanak (a Bíblia dos hebreus) e o Novo Testamento. Com o Livro de J, a necessidade tornou-se mais forte. Na verdade, nunca distingui crítica literária da crítica religiosa, pois estou convencido de que todas as distinções que fazemos são baseadas em posições políticas - algo de que não gosto, especialmente se observamos o que aconteceu nos Estados Unidos nos últimos cinco anos.

Aparentemente, o livro aponta a polêmica que deverá dominar o início deste século, contra o cristianismo e pró-judaísmo. Seria correto?

Não pretendi provocar uma polêmica cristã. Na verdade, pessoas como monges beneditinos e padres católicos e até alguns evangélicos reagiram favoravelmente ao livro. As reações mais iradas vieram dos ortodoxos e dos judeus conservadores, esses principalmente sobre o tratamento que dei a Jeová. Não acredito que o livro expresse alguma preferência por algum dos lados, pois sou estudioso de religiões mas agnóstico na prática. É difícil analisar isso. Comecei a escrever esse livro quando me convenci de que cristãos e judeus supervalorizavam o texto bíblico, liam metáforas como se fossem verdadeiras, talvez por não saberem como fazer a leitura correta. Mesmo sendo eruditos celebrados, eles realmente não têm idéia do que estão lendo.

O que pode explicar o fato de os Estados Unidos se tornarem um país religioso, mais até que outras nações ocidentais?

Eu não diria que seja um país religioso, mas uma forma de se dizer que os EUA continuam sendo uma democracia, o que de fato são, apesar do pesadelo chamado George W. Bush. Desde que ele assumiu o poder, somos hoje uma nação com um terço desse poder dominado pela plutocracia, outro terço pela oligarquia e o terço final pela teocracia. A verdadeira perspectiva do que hoje ocorre na América foi prevista pelo governador e senador da Louisiana entre os anos 20 e 30, Huey Long. Pouco antes de morrer (ele foi assassinado em 1935), ele disse: "Claro que teremos fascismo na América, mas nós a denominaremos democracia." É isso o que está ocorrendo aqui. Por isso que gosto de me referir a nosso presidente atual como Benito Bush (risos). O que chamamos de "religião americana" é algo muito estranho. Veja só: a cada dois anos, o Instituto Gallup faz uma pesquisa sobre o assunto e me envia uma cópia. Pois bem, os números nunca variam: 93% dos americanos dizem acreditar em Deus, não importa de que forma. Já 89%, ou seja, quase 9 entre 10 americanos, dizem que Deus os ama em sua base pessoal e individual. É justamente contra isso que meu livro se levanta.

Uma das maiores críticas recebidas pelo livro está no fato de afirmar que tanto o cristianismo como o judaísmo surgiram como reações aos acontecimentos de cada época da história do homem.

Foram várias críticas. Não foi bem aceita também minha afirmação de que, ao contrário do que se pensa, o judaísmo é uma religião mais jovem que o cristianismo. São Paulo não inaugurou o cristianismo, mas foi convertido por uma comunidade helenística, provavelmente judaico-cristã, para uma doutrina que já existia. Ele se tornou o apóstolo ou grande propagador disso. E o que hoje chamamos de judaísmo não começou até o segundo século da nova era.

O que lhe atrai no agnosticismo?

Basta olhar o século passado. Tivemos o holocausto nazista e os 6 milhões de judeus mortos, os chineses assassinados por Mao, outros tantos russos por Lenin, os cambojanos por Pol Pot. É por isso que minhas inspirações religiosas surgem quando leio Shakespeare, Dante, Cervantes, Fernando Pessoa. Afinal, uma parte importante da nossa crença observa que o que chamamos de criação traz, muito próxima, a destruição. A criação e a queda não são dois eventos distintos na história do homem, mas tão somente um.

E o que o senhor pensa da atual controvérsia dos quadrinhos envolvendo os árabes e países europeus?

É uma situação delicada. Os muçulmanos nunca protestaram quando homens-bomba assassinam pessoas inocentes. Preferem o silêncio. O atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que consegue ser pior que Bush, provocou polêmica ao dizer que o Holocausto era um "mito." Vi na edição de hoje (quarta-feira) do New York Times a notícia de que um jornal iraniano promove um concurso de caricaturas sobre o Holocausto. Não deixa de ser uma apologia aos assassinos, aos destruidores de edifícios, ao terrorismo afinal. Tenho certeza que no Irã e nos países árabes devem existir intelectuais e pacifistas que estão se sentindo miseráveis e preocupados com o que está acontecendo.



Escrito por Ed às 10h12
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